menu
Topo
Corrida no Ar

Corrida no Ar

Glossário de corrida: entenda palavras usadas por quem pratica o esporte

Sérgio Rocha

27/11/2018 04h00

Crédito: iStock

Os corredores de rua têm uma espécie de dialeto, com termos que só quem pertence a essa tribo muitas vezes é capaz de compreender. Se você entrou recentemente nesse universo e não consegue entender o que é "pacer", "cadência", "cotovelo", "drop" ou outras expressões típicas dos atletas mais experientes, confira esse e meu próximos, pois vou ajudá-lo a não ficar tão perdido ao conversar com alguém da "espécie" que usa tênis e número de peito.

Aferição de percurso

É um procedimento padronizado intencionalmente para medir a distância do trajeto de uma determinada prova. Dá um trabalhão, mas é a única garantia que tanto o corredor quanto o organizador têm de que a distância proposta pela prova está correta.

BQ (Boston Qualifier ou qualificação para Boston) S

Significa que a pessoa conseguiu o tempo de qualificação para correr a Maratona de Boston (EUA). Disputada pela primeira vez em 1897, ela é a corrida de 42 km anual mais antiga do mundo. É uma das provas mais cobiçadas do mundo. Por quê? Como as ruas e avenidas pela qual o percurso passa são estreitas e não comportam muita gente, a partir de 1970 os organizadores decidiram que para correr Boston a pessoa precisaria ter uma maratona abaixo de 4 horas. Com o passar dos anos, mais gente quis participar da prova e os tempos de qualificação foram ficando mais exigentes. Atualmente, por exemplo, para correr Boston um cara da minha idade (46 anos) tem que ter corrido uma maratona abaixo de 3h20.  Ah, claro que há outras maneiras de correr a prova: por um convite da organização ou de patrocinadores, por arrecadação de fundos para uma das entidades beneficentes afiliadas à prova e por agências de turismo credenciadas.

Cadência

É o número de passos por minuto. Quanto maior a sua cadência, melhor a sua mecânica de corrida e, por consequência, sua economia de corrida. Dizem que cadência boa é de 180 passos por minuto para cima. Uma forma simples de calcular sua cadência é contar o número de passos que você dá com um pé só durante um minuto e multiplicar por dois. Vários relógios de corrida com GPS também já marcam esse dado para você.

Canela fina ou canela seca

Essa é a denominação que damos aos corredores rápidos, pois todos têm essa característica: pernas bem magras e canelas finas. Absolutamente todos os atletas de elite são canelas finas e muitos amadores rápidos também. Em alguns estados, chamam o pessoal de canela seca. Você é canela fina? Eu estou bem longe disso…

Carbogel ou  gel de carboidrato

Nome dado a uma pasta cheia açúcar que a gente aprende a tomar quando vira corredor de longas distâncias, para ter energia para continuar o exercício. A recomendação varia de pessoa para pessoa, mas geralmente o indicado é tomar gel de carboidrato sempre que vamos correr mais de uma hora e meia — a quantidade e o momento de ingerir o suplemento também é individual, em maratonas, por exemplo, eu tomo um gel a cada 10 km. Mas, ultimamente. como já comentei aqui no blog, tenho preferido comer uma rodela de salame a utilizar o gel

Coelho ou pacer

São os sujeitos que são contratos pela organização de uma prova para ditar o ritmo em que os atletas de elite planejaram correr. Por exemplo: a Maratona de Berlim sempre contrata pacers para correr com os atletas que estão lá para bater o recorde mundial. Em uma maratona, os pacers em geral correm até o quilômetro 30 e depois saem da prova. Mas há casos em que o coelho continua e consegue uma boa colocação –ou até ganha a corrida! Grandes provas também têm pacers ou coelhos para ajudar os atletas amadores a conseguirem completar o percurso em um determinado tempo. Nesse caso, os pacers vão até o final. Há provas, por exemplo que oferecem pacers para ajudar o pessoal a correr a maratona em 4 horas, 3h3o, sub 3 horas.

Cotovelo

É aquele trecho nas provas que ninguém gosta muito, porque temos que desacelerar, contornar algo e voltar a acelerar. Recebe esse nome exatamente pela semelhança com o nosso cotovelo.

Drop 

É o salto do tênis, ou seja, a diferença de altura entre a parte de trás para a da frente do calçado. Quanto maior o drop, mais inclinado para frente você fica. E ele foi criado exatamente para isso. Quando inventaram o drop, ele tinha como função ajudar atletas amadores que não possuíam a mesma mecânica dos atletas de elite. O problema é que o drop acabou tendo efeito contrário. As pessoas acabam compensando a inclinação trazendo o corpo ligeiramente para trás e pisando com o calcanhar primeiro. Para compensar isso, os fabricantes passaram a incluir mais espuma na parte de trás do tênis para tentar proteger o pessoal, o que acabou virando uma bola de neve. Portanto, quanto maior o drop, maior a probabilidade de você pisar com o calcanhar. Quando menor o drop, maior a possibilidade de você começar a pisada pelo médio pé, que seria o correto do ponto de vista do biomecânico, pois quando corremos descalços começamos a pisada assim. Sai um pouco do assunto, né? Mas o drop é isso: a diferença de altura entre a parte de e a parte da frente do tênis.

Na semana que vem vou explicar mais alguns jargões da corrida. Não perca!

Sobre o autor

Sérgio Rocha começou a correr para perder peso há 20 anos e nunca mais parou. Nesse caminho, já completou muitas maratonaS, meias-maratonas e incontáveis provas de 10 km. Como profissão, era diretor de arte, mas sempre escrevia um texto aqui e outro ali nas revistas em que trabalhou. Em 2013, criou o canal no YouTube “Corrida no Ar”, que é hoje um dos maiores do segmento. Sérgio também apresenta o programa “Corre 89”, na Rádio Rock de São Paulo, junto do radialista PH Dragani. O programa vai ao ar todos os domingos, às 20h.

Sobre o blog

Este é um espaço para falar sobre o esporte de forma geral, dando dicas, cobrindo provas, escrevendo análises de produtos do mundo esportivo e, por vezes, também fazendo questionamentos que vão ajudá-los a olhar a corrida sob uma nova perspectiva.