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Como é feita a medição do percurso de uma corrida de rua

Sérgio Rocha

22/01/2019 04h00

Crédito: iStock

Vocês sabem como uma prova é aferida? Aposto que não. É algo bem complexo, trabalhoso e regido por uma norma internacional –ou seja, a aferição feita aqui no Brasil é a mesma feita em qualquer lugar do mundo. Então, antes de falar que a aferição da prova que você correu estava errada porque seu GPS marcou a mais do que a distância que a prova tinha, você precisa checar se o percurso é certificado.

Uma das coisas mais importantes na aferição de uma prova é a calibragem do sistema usado para fazer a aferição –o Clain Jones, um marcador analógico.
Antes de mais nada vamos ver o que é necessário para aferir um percurso.

  1. Um medidor credenciado pela CBAt;
  2. Caderno, caneta, e calculadora;
  3. Um fita métrica oficial (Stanley americana ou Lufkin alemã);
  4. Um medidor Clain Jones;
  5. Uma bicicleta.

Agora vamos aos procedimentos de calibragem do Clain Jones. Primeiro, usando a fita métrica oficial, o medidor faz uma linha de 300 metros. Depois, instala o Clain Jones na bicicleta e faz esse percurso por quatro quatro vezes, anotando a marcação do Clain Jones em cada uma delas. A média dessas quatro passagens, será os 300 metros do Clain Jones. Para saber o valor de um km, é aplicada uma regra simples de três e ao final, é somado um metro por segurança, pois uma prova nunca pode ter menos do que a distância proposta.

Como se começa a medição? O "zero" é onde o Clain Jones estiver parado. A partir daí, soma-se o valor de um km do Clain Jones para saber onde o medidor tem que parar a bicicleta para anotar essa marcação no percurso. Ele usa GPS quando está aferindo um percurso? Sim! Porque o GPS ajuda a saber quando o Clain Jones está chegando na marcação de "km".

Ok, então quando terminou de marcar os kms, acabou, né? Não. Tem que recalibrar o Clain Jones, pois o pneu da bicicleta dilata e pode dar diferenças. Então, vamos, lá. 300 metros de novo por quatro vez, fazer a média para saber os 300 metros e depois, regra de três para saber o km e somar mais um metro por km. E então, o km que vai valer no final é que resulta da média entre o km da calibragem com o da recalibragem. A partir dessa nova medida, e do que foi aferido (no caso, 3 km) é possível saber o que foi medido a mais e que deve ser ajustado, o que pode ser feito na largada ou chegada.

Não é nada simples. Saiba que nada irrita mais um medidor de percurso do que um corredor depois de ter corrido a prova dizer que "o percurso estava mais longo". Mal sabe ele o trabalho que dá fazer a marcação!

Eu gravei um vídeo mostrando como é feita a medição do percurso de uma corrida. Confira!

Sobre o autor

Sérgio Rocha começou a correr para perder peso há 20 anos e nunca mais parou. Nesse caminho, já completou muitas maratonaS, meias-maratonas e incontáveis provas de 10 km. Como profissão, era diretor de arte, mas sempre escrevia um texto aqui e outro ali nas revistas em que trabalhou. Em 2013, criou o canal no YouTube “Corrida no Ar”, que é hoje um dos maiores do segmento. Sérgio também apresenta o programa “Corre 89”, na Rádio Rock de São Paulo, junto do radialista PH Dragani. O programa vai ao ar todos os domingos, às 20h.

Sobre o blog

Este é um espaço para falar sobre o esporte de forma geral, dando dicas, cobrindo provas, escrevendo análises de produtos do mundo esportivo e, por vezes, também fazendo questionamentos que vão ajudá-los a olhar a corrida sob uma nova perspectiva.

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