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Corrida no Ar

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Você pagaria R$ 1.400 em um tênis?

Sérgio Rocha

2012-03-20T19:04:00

12/03/2019 04h00

Crédito: iStock

 

Mais uma fornada do VaporFly 4% Flyknit da Nike chegou no mercado no final do mês passado e o tênis se esgotou em minutos.
 
Esse é um tênis muito desejado. 
 
A começar por ter sido usando no project "Breaking2" em que o Eliud Kipchoge ficou próximo de baixar de 2 horas na maratona e por ser um tênis que está no pé dos vencedores de praticamente todas as maratonas importantes nos últimos dois anos. 
 
Só no ano passado, vimos o recorde mundial da meia, maratona e quase dos 10 km e no pé do pessoal, o tal VaporFly 4%.
 
Teve até casos de atletas patrocinados por outras marcas usando o VaporFly e camuflando o tênis.
 
E entre os amadores? Rolou uma excelente reportagem do New York Times (leia aqui) que analisou profundamente dados do Strava (uma  rede social que reúne milhares de ciclistas e corredores que compartilham seus treinos lá) e constatou que muitos atletas amadores melhoraram seus tempos em maratona usando VaporFly.
 
Muito dessa "melhora" deve-se ao fato do tênis possuir uma placa de fibra de carbono por toda a sua extensão que faz com que o tênis tenha uma propulsão maior e acaba fazendo com que o atleta gaste menos energia para correr – que seriam os tais 4% de economia.
 
Ao mesmo tempo que o tênis tem essa propulsão, ele não é um tênis baixo, como tipicamente os tênis de competição são e é por isso que a 
Nike conseguiu fazer na corrida algo que é muito comum em outros esportes – fazer com que os atletas amadores queiram usar o mesmo tênis que o atleta profissional usa. O tênis do Michel Jordan, a chuteira do Messi, o VaporFly do Kipchoge (recordista mundial da maratona).
 
Eu não testei esse tênis – a Nike não mandou pra mim nem a primeira versão, então eu não tenho opinião formada sobre a performance dele, mas falei com alguns atletas e treinadores e a coisa é meio que unânime – as pessoas dizem o tênis realmente te empurra pra frente, que é mais fácil correr com ele e a sensação de fadiga é menor do final das provas, mesmo você correndo mais rápido do que você faz normalmente.
 
Agora dois pontos importantes destacados pelos treinadores – os atletas que correm com esse tênis são aqueles que correm de 4:30 min/km pra baixo nos 10 km, cara que faz meia maratona pra baixo de 1h40, maratona de 3h30 pra baixo – ou seja, atletas amadores rápidos.
 
Outra coisa é o lance que o próprio Eliud Kipchoge diz – o tênis ajuda, mas você ainda tem que correr rápido, ou seja, você tem que treinar regulamente – nenhum tênis faz milagre
 
O desgaste do tênis é reconhecidamente rápido, então é um modelo que você deverá guardar para usar apenas em competições.
 
Agora o ponto complicador nesse história toda é o valor do tênis aqui no Brasil – R$ 1400.  
 
Esse é o valor que você tem que pagar para ter o benefício desse tênis. 
 
Você está disposto a isso?
 
Quem comprou e usa disse que vale cada centavo e que compraria de novo.
 
Mas o problema aí é simplesmente que nem todo mundo pode ou está disposto a pagar R$ 1400 em um tênis de corrida.
 
Nos EUA, ele custa US$ 250, o que daria por volta de R$ 1 mil com IOF, então os R$ 400 a mais é o tal custo-brasil – impostos, carga tributária, etc
 
O último tênis da Nike em que fiz review no canal que tenho no YouTube, o Corrida no Ar, foi o Epic React e já foi dolorido pagar R$ 699 nele. 
 
Pra mim é totalmente fora de cogitação pagar R$ 1.400 em um tênis de corrida – mesmo que ele pudesse me ajudar a correr mais rápido ou bater meu recorde pessoal em alguma prova.
Você pagaria?

 

Sobre o autor

Sérgio Rocha começou a correr para perder peso há 20 anos e nunca mais parou. Nesse caminho, já completou muitas maratonaS, meias-maratonas e incontáveis provas de 10 km. Como profissão, era diretor de arte, mas sempre escrevia um texto aqui e outro ali nas revistas em que trabalhou. Em 2013, criou o canal no YouTube “Corrida no Ar”, que é hoje um dos maiores do segmento. Sérgio também apresenta o programa “Corre 89”, na Rádio Rock de São Paulo, junto do radialista PH Dragani. O programa vai ao ar todos os domingos, às 20h.

Sobre o blog

Este é um espaço para falar sobre o esporte de forma geral, dando dicas, cobrindo provas, escrevendo análises de produtos do mundo esportivo e, por vezes, também fazendo questionamentos que vão ajudá-los a olhar a corrida sob uma nova perspectiva.